Adolescência: A Minissérie Britânica que Chocou o Mundo e Chegou ao Brasil

Adolescência (Adolescence), lançada em 13 de março de 2025 na Netflix, é uma minissérie britânica de drama criminal e psicológico. Rapidamente se tornou um fenômeno global, liderando o Top 10 da plataforma em mais de 50 países, incluindo o Brasil.
Criada por Stephen Graham e Jack Thorne, com direção de Philip Barantini, a série de quatro episódios acompanha Jamie Miller (Owen Cooper). O garoto, de 13 anos, é acusado de assassinar sua colega Katie Leonard, em uma pequena cidade inglesa. Filmada inteiramente em planosequência, a produção combina narrativa intensa com abordagem técnica inovadora. Ainda, explora temas como bullying, misoginia, influência das redes sociais e as falhas da sociedade na proteção de jovens.
Aclamada pela crítica com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes e 13 indicações ao Emmy 2025. Adolescência provocou debates globais, com impacto significativo no Brasil. A produção ressoa com a comunidade nerd e eventos como BGS e CCXP. Este artigo analisa a trama, a técnica de filmagem em plano-sequência, o impacto dos temas abordados e a recepção no Brasil. Baseado em fontes como BBC News Brasil, Correio Braziliense, Rolling Stone e posts no X.
Trama de Adolescência: O Caso de Jamie Miller
A minissérie começa com uma cena impactante: a polícia armada invade a casa da família Miller, prendendo Jamie, adolescente de 13 anos, acusado de esfaquear fatalmente sua colega de classe, Katie Leonard (Emilia Holliday). Ao longo de quatro episódios, cada um cobrindo cerca de uma hora em tempo real, a série segue a investigação, o interrogatório e o julgamento de Jamie. Simultaneamente, explora o impacto devastador do crime em sua família — o pai Eddie (Stephen Graham), a mãe Manda (Christine Tremarco) — e na comunidade. A narrativa não se limita a determinar a culpa de Jamie, mas mergulha nas complexidades de sua psique, revelando como bullying, rejeição e exposição a comunidades online misóginas, como a subcultura incel e a “machosfera”, moldaram suas ações.
Elementos-Chave da Trama
- Crime e Investigação: Desde o primeiro episódio, imagens de câmeras de segurança mostram alguém com os tênis de Jamie esfaqueando Katie sete vezes. Isso deixa pouco espaço para dúvidas sobre sua culpa. A psicóloga forense Briony Ariston (Erin Doherty) conduz entrevistas que revelam o envolvimento de Jamie com ideologias misóginas online, incluindo referências a figuras como Andrew Tate e a teoria incel 80/20, que culpa mulheres por rejeições amorosas.
- Contexto do Crime: Jamie convidou Katie para sair após fotos íntimas dela circularem na escola, esperando que sua vulnerabilidade a tornasse mais receptiva. Após ser rejeitado e ridicularizado online por Katie com emojis sugerindo que ele era um incel, Jamie, movido por raiva e influências tóxicas, cometeu o assassinato.
- Impacto Familiar: Eddie, um pai com traços de masculinidade tradicional, lida com culpa e questiona seu papel na criação de Jamie, enquanto Manda tenta manter a família unida. A série mostra a desconexão entre pais e filhos, com Eddie admitindo que não acompanhava a vida online de Jamie.
- Desfecho: No quarto episódio, Jamie, inicialmente negando o crime, muda seu depoimento para “culpado” antes do julgamento, em uma ligação com Eddie. Jack Thorne descreveu isso como Jamie “colocando seus sentimentos em uma caixa e fechando a tampa”, enquanto o diretor Philip Barantini comparou a decisão à desconexão de aparelhos de suporte de vida, destruindo as esperanças dos pais.
A série não busca absolver Jamie. Contudo, questiona forças sociais — bullying, redes sociais e negligência adulta — que culminaram na tragédia, deixando o público com mais perguntas do que respostas.
Técnica de Filmagem em Plano-Sequência
A escolha de filmar Adolescência em plano-sequência — cada episódio gravado em uma única tomada contínua, sem cortes aparentes — é um dos maiores trunfos da série. A escolha cria uma experiência imersiva e claustrofóbica. Dirigida por Philip Barantini, conhecido por Boiling Point, a técnica exigiu ensaios intensos, com o elenco comparando o processo a uma peça de teatro. Stephen Graham revelou que um episódio foi refilmado 14 vezes para alcançar a perfeição.
Impacto da Técnica
- Imersão e Realismo: A ausência de cortes mantém o espectador preso à tensão do momento, seja na invasão policial inicial, nos interrogatórios ou nas conversas íntimas. O Correio Braziliense destacou que o planosequência “eleva a tensão, deixando o espectador envolvido na trama”.
- Desafio Técnico: A cinematografia de Matthew Lewis e a direção de Barantini criam uma atmosfera crua, com a câmera seguindo os personagens em tempo real, capturando reações espontâneas. O terceiro episódio, uma “masterclass de atuação” entre Jamie e Briony, é especialmente elogiado por sua intensidade, conforme @Bakero83 no X.
- Comparação com Outras Obras: Inspirada em filmes como 1917 e Birdman, a técnica diferencia Adolescência de outros dramas criminais, como Your Honor, ao priorizar a continuidade narrativa. A BBC News Brasil chamou o formato de “o mais próximo da perfeição na TV em décadas”.
No Brasil, fãs no X, como @msantoro1978, celebraram o “notável” esforço técnico, destacando a imersão proporcionada pelo plano-sequência, que torna a série ideal para o binge-watching na Netflix.
Impacto da Trama sobre Bullying e Sociedade
Adolescência é mais do que um drama criminal; é uma crítica social contundente que expõe as falhas da sociedade na proteção de jovens contra influências tóxicas. A série aborda temas urgentes, como:
- Bullying e Cyberbullying: Jamie sofre bullying online após ser rejeitado por Katie, que usa emojis para ridicularizá-lo como incel. A série mostra como a escola falha em abordar o bullying, com professores despreparados e adultos desconectados das interações digitais dos jovens.
- Influência das Redes Sociais e Misoginia: Jamie é influenciado por comunidades incel e a “machosfera”, que promovem visões distorcidas sobre mulheres. A menção a Andrew Tate e à teoria 80/20 (que sugere que 80% das mulheres desejam apenas 20% dos homens) destaca o impacto da cultura digital na radicalização de jovens. O professor Renato Levin-Borges, em entrevista ao Brasil de Fato, relacionou a série à ascensão da extrema direita e das big techs, que amplificam discursos misóginos.
- Desconexão Familiar e Social: A série critica a falta de diálogo entre pais e filhos, com Eddie e Manda sem acesso à vida online de Jamie. A psicóloga Dra. Nihara Krause destacou que Adolescência serve como um “alerta para os pais”, mas enfatizou que tais crimes requerem a convergência de múltiplas vulnerabilidades.
- Violência Juvenil: Inspirada no aumento de crimes com facas no Reino Unido (18 mil condenações em 2023, 17,3% envolvendo jovens de 10 a 17 anos), a série reflete uma crise global. No Brasil, segundo o Comitê Gestor da Internet, 73% dos jovens de 12 a 17 anos têm perfis ativos em redes sociais. Por isso, os temas ressoam com preocupações locais sobre violência e exposição digital.
Impacto político
A série gerou impacto político, com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer apoiando sua exibição em escolas para combater misoginia e violência de gênero, uma iniciativa que o Brasil também considera. No X, @heroinadolixo descreveu a série como “pesadíssima” por retratar “exatamente como a maioria dos meninos está crescendo”, refletindo a ressonância com o público brasileiro.
Minissérie Adolescência: Recepção e Impacto no Brasil
Adolescência alcançou 96,7 milhões de visualizações globais nas primeiras três semanas. Liderou o Top 10 da Netflix no Brasil por três dias consecutivos e superou Stranger Things e Bridgerton. Com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes (9,4/10 de média), a série é aclamada como “um marco na televisão contemporânea” (Variety). Críticos como Alan Sepinwall (Rolling Stone) a consideram uma forte candidata a melhor série de 2025. Enquanto Margaret Lyons (New York Times) elogiou o terceiro episódio como “uma das horas de televisão mais fascinantes”.
Recepção no Brasil
- Comunidade Nerd: A série ressoa com a comunidade nerd brasileira, que aprecia narrativas psicológicas intensas, como em Euphoria e 13 Reasons Why. Fãs no X, como @thiago_p, destacaram o foco na “psicologia do ser humano, validação e ansiedade social”, conectando a trama a experiências universais. Eventos como BGS e CCXP 2025 devem amplificar o impacto, com possíveis painéis sobre a série.
- Debates Sociais: A trama gerou discussões no Brasil sobre bullying e o impacto das redes sociais, com o Mixvale notando sua relevância em um país onde a exposição digital entre jovens é alta. O governo brasileiro considera exibir a série em escolas, seguindo o exemplo do Reino Unido.
- Acessibilidade: Disponível na Netflix (planos a partir de R$ 25,90/mês) com os quatro episódios lançados simultaneamente, a série é ideal para maratonas. A técnica de plano-sequência e a duração compacta (4 horas no total) atraem o público brasileiro, habituado ao binge-watching.
Controvérsias
A série enfrentou críticas, como a da professora Marilia Fiorillo (Jornal da USP). A professora a considerou “chata no limite do insuportável” por não explorar questões como psicopatia. Ainda, compara desfavoravelmente a We Need to Talk About Kevin.
Além disso, Elon Musk promoveu uma teoria conspiratória no X, chamando-a de “propaganda antibranca” por escalar um ator branco como Jamie, alegando conexão com os esfaqueamentos de Southport de 2024. Jack Thorne refutou a alegação, afirmando que a série não é baseada em um caso específico.
Chances no Emmy 2025
Adolescência recebeu 13 indicações ao 77º Primetime Emmy Awards, incluindo:
- Melhor Minissérie ou Antologia: Competindo com The White Lotus e Fargo, a série é uma forte candidata devido à sua inovação e impacto social.
- Atuações: Owen Cooper, 15 anos, tornou-se o mais jovem indicado a Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie. Igualmente, Stephen Graham, Ashley Walters, Christine Tremarco e Erin Doherty também foram indicados.
- Direção e Roteiro: Philip Barantini e Jack Thorne são cotados por seus trabalhos no terceiro episódio, elogiado como uma “masterclass”.
A Variety sugere que a série pode vencer em categorias técnicas, por exemplo cinematografia. Contudo, tem chances sólidas em Melhor Minissérie, dado o impacto cultural e a aclamação crítica. Adolescência, lançada em 13 de março de 2025 na Netflix, é uma minissérie britânica que chocou o mundo com sua narrativa visceral e técnica inovadora de plano-sequência.
Centrada no caso de Jamie Miller, um garoto de 13 anos acusado de assassinato, a série explora as raízes da violência juvenil, desde o bullying e a misoginia até a influência tóxica das redes sociais. A abordagem realista, atuações poderosas de Owen Cooper e Stephen Graham, e a direção de Philip Barantini criam uma experiência imersiva que ressoa com o público brasileiro. Impacto este especialmente na comunidade nerd, que debate a série no X (#AdolescenciaBR) e espera eventos na BGS e CCXP.
Com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes e 13 indicações ao Emmy 2025, Adolescência é um marco no gênero, desafiando a sociedade a refletir sobre como falhamos com os jovens. Disponível na Netflix, a série é um convite à reflexão e um soco no estômago, perfeito para maratonas e discussões em família.




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