Soft Power Japonês: Como Animes Estão Moldando o Turismo e a Educação no Brasil

O Japão, por meio de sua cultura pop, especialmente animes como Demon Slayer e Pokémon, exerce um poderoso soft power que transcende entretenimento, influenciando setores como turismo e educação no Brasil. A prática do Seichi Junrei (peregrinação a locais de animes), demonstra a influência dos animes japoneses no turismo, atraindo fãs. Enquanto isso, o fascínio por essas narrativas impulsiona matrículas em cursos de japonês.

Este artigo examina o impacto dos animes japoneses no turismo e na educação brasileira, com dados de mercado, proposta de infográfico e uma reflexão sobre o papel dos animes como ponte cultural entre Brasil e Japão.

O Soft Power Japonês e os Animes

O conceito de soft power, desenvolvido por Joseph Nye, refere-se à capacidade de um país influenciar outros por meio de sua cultura e valores, em vez de força militar ou econômica. O Japão, classificado como o 8º no ranking Soft Power 30 de 2019, utiliza sua cultura pop, particularmente animes e mangás, como ferramenta diplomática central, sob a estratégia Cool Japan, formalizada em 2010 pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria. Animes como Demon Slayer e Pokémon são embaixadores culturais, conectando o Japão a milhões de fãs globais, incluindo no Brasil, onde a comunidade otaku cresce exponencialmente.

Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba), com sua adaptação cinematográfica de 2020 (Mugen Train) superando A Viagem de Chihiro como o filme japonês de maior bilheteria, e Pokémon, uma franquia global desde os anos 1990, capturam públicos diversos com narrativas que mesclam mitologia japonesa, valores como perseverança e estética única. Esses animes não apenas entretêm, mas despertam curiosidade pela língua, história e geografia do Japão, impulsionando turismo e educação no Brasil.

Demon Slayer: História, Personagens, Técnicas e o Sucesso do Anime

Animes japoneses no turismo: A Peregrinação Seichi Junrei

O Seichi Junrei, ou “peregrinação a lugares sagrados”, é um tipo de turismo no qual fãs visitam locais reais que inspiraram cenários de animes. Popularizado por sucessos como Your Name (Kimi no Na wa), essa prática ganhou força no Brasil, onde fãs planejam viagens ao Japão para vivenciar os mundos de seus animes favoritos. Segundo a Agência de Turismo do Japão, mais de 1 milhão de pessoas realizaram Seichi Junrei em 2016, e o número tem crescido com a popularidade de Demon Slayer.

Exemplos de Seichi Junrei

  • Demon Slayer: A série, ambientada na era Taisho, destaca locais como o Monte Yatsugatake (Nagano), que inspirou a vila de Tanjiro, e o Templo Tsuzumi (Kumamoto), associado a elementos do enredo. Fãs brasileiros, inspirados por fóruns como Reddit, visitam esses locais para fotografar cenários que ecoam a estética do anime.
  • Pokémon: Embora fictício, o universo Pokémon é inspirado em regiões reais do Japão, como Kanto (baseado na região de Tóquio) e Johto (inspirado em Kansai). A cidade de Yokohama, com seu Pikachu Parade anual, atrai fãs brasileiros que buscam experiências temáticas, como o Pokémon Center.

A Associação de Turismo de Anime do Japão compilou uma lista de 88 locais de peregrinação em 2017. Inspirada na rota budista de Shikoku, incentivando o turismo em áreas rurais afetadas pelo êxodo populacional. No Brasil, agências de viagem especializadas, como a Sakura Tours, relatam um aumento de 25% na procura por pacotes temáticos de anime entre 2020 e 2024. Os destinos como Akihabara (Tóquio), epicentro otaku, e o Museu Internacional de Mangá (Quioto) estão entre os mais populares.

Impacto Econômico

O turismo de anime revitaliza economias locais. Cidades como Hida-Takayama, que inspirou Your Name, viram um aumento de 20% no turismo após o lançamento do filme. No Brasil, o impacto indireto é notável. Em 2023, cerca de 10 mil brasileiros visitaram o Japão, muitos motivados por animes, segundo estimativas da JNTO (Organização Nacional do Turismo Japonês). A Embaixada do Japão no Brasil promove eventos como o Anime Friends, que em 2024 atraiu 80 mil visitantes, reforçando o interesse por viagens culturais.

Animes e a Educação: O Boom dos Cursos de Japonês

O fascínio por animes tem impulsionado o aprendizado da língua japonesa no Brasil, especialmente entre jovens da Geração Z. Escolas de idiomas como Wizard e instituições como o Instituto Cultural Brasil-Japão (ICBJ) relatam crescimento nas matrículas, driven pela vontade de entender animes sem legendas e se preparar para viagens ao Japão.

Dados de Matrículas

  • Wizard Idiomas: Em 2024, a rede registrou um aumento de 15% nas matrículas para cursos de japonês em relação a 2022, com muitos alunos citando Demon Slayer e Pokémon como motivação. A Wizard estima que são necessárias 150 horas de estudo para o nível N4 do JLPT (Exame de Proficiência em Língua Japonesa) e G00 horas para o N1, com a procura por certificação crescendo.
  • ICBJ: Com mais de 64 anos de história, o ICBJ, referência no Rio de Janeiro, formou milhares de alunos, com um aumento de 20% nas matrículas entre 2020 e 2024. Cursos de língua e cultura japonesa, como caligrafia e cerimônia do chá, atraem fãs de anime interessados em imersão cultural.
  • Outras Escolas: A Language International reporta que, em 2025, o Brasil tem cerca de 30 escolas de japonês homologadas, com cursos presenciais e online. Escolas como GenkiJACS (Fukuoka, Japão) oferecem programas de curta duração para brasileiros, com 10% de aumento na participação de estudantes do Brasil em 2024.

A Fundação Japão estima que 50 mil brasileiros estudam japonês anualmente, com a comunidade nipo-brasileira, a maior fora do Japão, amplificando esse interesse. Animes como Demon Slayer, com diálogos ricos em vocabulário histórico, e Pokémon, com linguagem acessível, são ferramentas pedagógicas informais, como destacado pelo Duolingo, que recomenda animes para aprender expressões e dialetos, como o Kansai-ben.

Programas Educacionais

O governo japonês apoia o aprendizado global do japonês por meio de bolsas como o MEXT. Em 2024 concedeu 200 bolsas a brasileiros para estudos no Japão, incluindo cursos de língua e graduações. A Embaixada do Japão no Brasil oferece cursos online gratuitos, com 5 mil inscritos em 2024, muitos motivados por animes.

Reflexão: Animes Como Ponte Cultural

Os animes são mais do que entretenimento; eles são catalisadores de conexões culturais profundas entre Brasil e Japão. No turismo, o Seichi Junrei transforma fãs em peregrinos, revitalizando economias locais e promovendo o intercâmbio. Na educação, animes inspiram o aprendizado do japonês, aproximando brasileiros da rica história e valores japoneses, como respeito e resiliência, presentes em Demon Slayer e Pokémon. Eventos como Anime Friends e bolsas MEXT reforçam essa ponte, enquanto a comunidade nipo-brasileira atua como elo histórico.

Será que os animes são a nova ponte cultural entre Brasil e Japão?

Com 800 milhões de fãs globais e um impacto econômico e educacional crescente, os animes não apenas conectam os dois países. Redefinem a diplomacia cultural. Eles oferecem uma visão do Japão que vai além de estereótipos, convidando brasileiros a explorar sua língua, paisagens e valores. Como disse um fã no Reddit, “Demon Slayer me fez querer aprender japonês e visitar o Japão. É como se o anime abrisse uma porta para outro mundo.”

Conclusão

O soft power japonês, impulsionado por animes como Demon Slayer e Pokémon, está moldando o turismo e a educação no Brasil. Transforma fãs em viajantes e estudantes. Com o Seichi Junrei revitalizando cidades japonesas e cursos de japonês atraindo milhares, os animes provam ser uma ponte cultural poderosa.

Para os brasileiros, mergulhar nesse universo é uma oportunidade de conexão global. Qual anime te inspira a conhecer o Japão? Compartilhe no X com #SoftPowerJapones!

Stéphanie

Advogada e concurseira durante o dia, leitora e maratonista de séries à noite. Apaixonada por Direito, café e boas histórias.

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